Quem cobrava, não quer mais ser cobrado. Recentemente, em sessão na Câmara Municipal, o atual vereador Hélio Fernandes denunciou que o ex-vereador, hoje prefeito, entregou a saúde de Icapuí — por meio de uma negociação opaca — a um instituto privado de Fortaleza, envolvido em contratos da ordem de R$ 29 milhões ou mais. Nesta gestão, já ingressaram nos cofres municipais mais de R$ 6,5 milhões em recursos extras, mas os profissionais da saúde seguem sem receber — especialmente os médicos que prestaram plantões e aguardam os salários referentes a outubro, novembro e dezembro.
Em vez de enfrentar os problemas com transparência, o prefeito optou por uma manobra arriscada: colocar todo o Hospital Municipal à disposição de uma instituição terceirizada, na esperança de resolver o caos administrativo. O problema é que, mais uma vez, quem arca com as consequências são os profissionais que trabalharam e a própria população icapuiense, enquanto contratos bilionários são firmados sem explicações plausíveis.
O passo seguinte foi a substituição quase completa da equipe médica local — um movimento que soa mais como retaliação, pois os novos profissionais não reclamam publicamente dos atrasos e, assim, garantem que a gestão se mantenha mais “silenciosa”. Mas isso não apaga o fato de que verbas federais carimbadas — como as do PSF/SAD — desapareceram, segundo denúncia, antes mesmo de chegarem aos profissionais.
Surge, então, um enigma preocupante: para onde foi o dinheiro da saúde? O contrato, de cerca de R$ 29 milhões, não aparece em detalhes, e o instituto beneficiário não tem tradição na cidade, gerando desconfiança. São questões que exigem resposta imediata.
Icapuí clama por clareza:
• Onde está o Ministério Público?
• Cadê a Câmara, os conselhos municipais e os órgãos de controle?
• Quem fiscaliza a aplicação dessas verbas vultosas?
Em uma gestão marcada pela promessa de “renovação”, o que se vê é abandono das bases — os trabalhadores da saúde — e descaso com a comunidade. O socorro que a cidade precisa é financeiro, administrativo e — sobretudo — judicial. E ele não pode mais esperar: a população exige justiça agora.

