Início » União Brasil pé de clemência Lula

União Brasil pé de clemência Lula

por Wilton Medeiros

União Brasil troca o discurso pelo cargo e expõe a política da conveniência

O roteiro é conhecido, mas nem por isso menos constrangedor. O União Brasil voltou a revelar como funciona a política da conveniência em Brasília. Após anunciar rompimento com o governo Lula, adotar discurso de independência e posar de crítico do Planalto, o partido fez meia-volta: sem espaço no governo, voltou a negociar apoio.

O caso de Celso Sabino escancarou a contradição. Fiel ao presidente Lula, o então ministro do Turismo decidiu permanecer no cargo mesmo após a orientação partidária de saída da base. Foi punido por isso. Expulso do partido, não por desvio ético, mas por lealdade institucional, tornou-se símbolo de uma crise que o próprio União Brasil ajudou a criar.

Poucos dias depois, o mesmo partido que pregava distanciamento resolveu pedir reaproximação. Sem ministério, sem protagonismo e sem influência real, a legenda percebeu o óbvio: fora da máquina, o partido perde força. O discurso mudou, o tom arrefeceu e a negociação voltou à mesa.

Na prática, o União Brasil passou a votar com o Planalto e a buscar novamente cargos na Esplanada. A mensagem é clara: com cargo, há apoio; sem cargo, há rompimento. Ideologia e compromisso com o eleitor ficam em segundo plano diante da disputa por espaço no poder.

O episódio revela um problema estrutural da política brasileira. Partidos sem identidade programática sólida tornam-se dependentes do Estado. Vivem de nomeações e sobrevivem de acordos. O eleitor, nesse jogo, vira figurante.

Ao voltar ao Planalto, o União Brasil não apenas desautoriza o próprio discurso recente, como reforça o descrédito da política. No fim, fica a constatação incômoda: para alguns partidos, a fidelidade não é ao povo, mas ao cargo.

Postagens relacionadas