Início » Mesa diretora caça o mandato dos dois deputados do PL

Mesa diretora caça o mandato dos dois deputados do PL

por Wilton Medeiros

CÂMARA CASSA MANDATOS DE DOIS DEPUTADOS E EXPÕE O CLIMA DE MEDO NO CONGRESSO

A Câmara dos Deputados cruzou uma linha histórica ao cassar, por decisão da Mesa Diretora, os mandatos de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem sem submeter o tema ao plenário. O ato foi rápido, administrativo e silencioso — exatamente como decisões tomadas quando o ambiente político já não comporta confronto, apenas contenção de danos.

No papel, os argumentos são conhecidos: faltas acumuladas no caso de Eduardo; condenação definitiva no Supremo, no de Ramagem. Mas, fora do papel, o que se viu foi um Parlamento acuado, agindo para evitar tensão com o STF e para não agravar a crise institucional que ronda Brasília. A cassação foi aceita, inclusive, com o aval de um integrante do próprio PL, sinal claro de que o desfecho já estava pactuado nos bastidores.

A condução do processo pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, revela mais do que prudência. Revela uma escolha. Após acenos ao Planalto e sob o peso de decisões recentes do Supremo que enquadraram o Legislativo, Motta optou por não testar limites. Preferiu agir antes que o embate chegasse. No Congresso de hoje, não vence quem fala mais alto, mas quem sobrevive ao próximo julgamento.

Há um elemento emocional evidente nessa decisão: o medo de errar, de enfrentar, de perder o controle da narrativa. O Parlamento, que deveria ser o espaço do debate público, terceirizou o custo político para um despacho interno. Não houve discurso, não houve voto, não houve arena. Houve recuo.

A cassação dos dois deputados não é apenas um ato jurídico. É o retrato de um Congresso que anda em silêncio, mede cada passo e joga na defensiva. Em Brasília, o poder já não grita. Ele sussurra — e executa.

Postagens relacionadas