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O cerco se fecha em Brasília para o presidente Lula

por Wilton Medeiros

O cerco se fecha em Brasília: partidos da própria base do presidente Lula recorrem ao Supremo Tribunal Federal para impor uma derrota ao próprio governo. Não é a oposição. São aliados. E isso diz tudo.

Mesmo tendo recorrido ao STF em busca de apoio, o presidente terá de se ajoelhar politicamente diante de Hugo Motta e Rodrigo Pacheco, presidentes da Câmara e do Senado, numa tentativa desesperada de manter o mínimo de governabilidade. O que se vê é um chefe do Executivo encurralado, sem margem de articulação e com o poder escoando pelos dedos.

Os três partidos da base que protocolaram uma Ação Declaratória de Constitucionalidade para manter a suspensão do aumento do IOF mostram que o próprio governo já perdeu o comando da sua articulação. O gesto não é apenas jurídico — é simbólico: Lula perdeu o controle da pauta econômica no Congresso e precisa agora negociar, não com adversários, mas com aliados que já não o reconhecem como líder incontestável.

O Palácio do Planalto já não dita o ritmo nem o conteúdo das decisões mais relevantes da República. O Congresso, empoderado, assume o protagonismo. E o presidente, mesmo diante da toga do Supremo, não encontra abrigo. A governabilidade se esfarela entre decisões mal calculadas, alianças frágeis e uma base parlamentar cada vez mais fragmentada.

A pergunta que ecoa nos corredores da política nacional é direta, cortante e inevitável: vai dar impeachment ou tudo acabará em mais uma grande pizza?

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