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Inclusão no papel, desinclusão na prática.

por Wilton Medeiros

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Inclusão no discurso, exclusão na realidade

Vivemos em um país onde a palavra “inclusão” é aclamada em discursos, exaltada em campanhas e registrada em leis. Mas tudo isso se perde diante da prática negligente de um sistema que ainda marginaliza quem mais precisa de oportunidades.

A pessoa com deficiência visual é reconhecida pela legislação, mas descartada pelo mercado de trabalho. Ontem, no programa J. Nobre, um psicólogo cego relatou sua luta por espaço. Mesmo com qualificação, não encontra portas abertas. A história dele é a minha também.

Sou jornalista, bacharel em Teologia, pós-graduado em Ciências Políticas e Jornalismo Digital, acadêmico no 9º período do curso de Direito e locutor. Ainda assim, sigo tentando trocar o Benefício de Prestação Continuada por um salário digno.

Certa vez, um gerente de supermercado procurava “um deficiente”. Quando soube que sou cego, recusou meu currículo: “preciso de alguém para repor mercadoria”. Isso traduz o olhar social: limitado, funcional, preconceituoso.

Enquanto isso, prefeitos e governadores entregam cargos comissionados a pessoas com deficiência dizendo que estão promovendo inclusão. Mas isso não é inclusão — é politicagem. Por que não transformar esses cargos em processos seletivos públicos, com critérios justos e acessibilidade? Por que não abrir espaço para todos, em vez de beneficiar apenas os aliados?

O Brasil tem leis. Mas de nada adianta se não há fiscalização, se vereadores, deputados, senadores e o Ministério Público seguem omissos. O que falta não é norma. É coragem para aplicá-la.

A inclusão real não se faz com discursos, mas com justiça, acesso e oportunidades. É hora de parar com o teatro político e ouvir quem vive a exclusão todos os dias. Minha voz representa muitas que seguem caladas. E este grito precisa ecoar.

José Wilton de Medeiros
Bacharel em Teologia
Pós-graduado em Ciências Políticas e Jornalismo Digital
Acadêmico do 9º período do curso de Direito
Locutor e comunicador popular
Disposto a trabalhar em Mossoró — ou onde Deus abrir a porta.

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