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A Renovação que não chegou à Saúde

por Wilton Medeiros

O abismo entre as promessas eleitorais e a realidade administrativa em Icapuí ganhou um capítulo desolador no distrito de Ibicuitaba. Um vídeo que circula nas redes sociais expõe o relato de Tatiane sobre sua mãe, Dona Zilda, revelando uma falha que transcende a logística: trata-se do descaso com o direito fundamental à vida. A perda de uma consulta em Aracati, aguardada desde agosto, ocorreu exclusivamente porque o transporte da prefeitura não compareceu.

Dona Zilda despertou às 3h. Preparou-se com a dignidade de quem ainda acredita nas instituições, mas foi vencida pela ineficiência pública. Às 7h30, o silêncio da administração municipal confirmou o abandono; não houve ônibus, van ou qualquer alternativa de suporte. O que se testemunhou foi a falência de um sistema que deveria servir ao cidadão, mas que, na prática, o deixa desamparado.

Este episódio é a prova material de uma incoerência política inaceitável. Aqueles que ascenderam ao poder criticando severamente os equívocos de mandatos anteriores hoje repetem — ou agravam — os mesmos erros. O discurso de “renovação” mostra-se meramente estético, pois a estrutura estatal continua falhando justamente com a parcela mais vulnerável da população.

A saúde pública exige responsabilidade, fluxo contínuo e respeito ao paciente. Quando o transporte sanitário inexiste, nega-se ao povo o acesso básico ao tratamento. A política local parece priorizar a propaganda em detrimento da funcionalidade dos serviços essenciais. Para Dona Zilda, o custo dessa incompetência gerencial é a interrupção da esperança e o ferimento profundo de sua dignidade.

A indagação que resta é direta: a tal renovação serviu para quem? Porque, para quem depende do poder público para cuidar da saúde, o que chegou foi apenas o peso do abandono.

https://youtube.com/shorts/3VRq2fReOVM?si=B6fF-nHQabdBTNfQ

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