O coração fica pesado quando a notícia chega. Não é apenas a partida de um pastor, é a ausência de uma presença que organizava afetos, memórias e sentidos. A morte do pastor Moisés Cardoso de Araújo nos atravessa porque ele não foi apenas líder, foi referência. A dor existe porque perdemos alguém que ajudava a sustentar quem somos como comunidade. Moisés era esse ponto de apoio: homem hospitaleiro, firme, forjado na luta, na disciplina e na responsabilidade.
Quando estive no Rio de Janeiro, ao lado de minha esposa, missionária Valdirene, não encontramos apenas uma igreja, encontramos acolhimento verdadeiro. Moisés tinha o raro dom de fazer o outro se sentir visto, respeitado e pertencente. Isso não se aprende em livros; nasce do caráter. O campo onde servi por três anos como pastor foi testemunha de sua liderança equilibrada, humana e profundamente comprometida com o Reino e com as pessoas.
A Escritura afirma que o justo, mesmo depois de morto, ainda fala. Moisés continua falando por meio das obras que deixou, das vidas que tocou e da fé que viveu no cotidiano. Seu corpo segue agora para o descanso, mas sua história não será sepultada. O tempo pode silenciar vozes, mas não apaga legados construídos com verdade, serviço e amor ao próximo.
Partiu o homem. Permanece o exemplo. E isso consola.
Pastor e jornalista, bacharel em Direito,
Wilton Medeiros
Missionária Valdirene

