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O jogo político do Congresso 

por Wilton Medeiros

O JOGO POLÍTICO DE ALCOLUMBRE E O FUTURO DAS PAUTAS NO CONGRESSO

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de arquivar a chamada “PEC da Blindagem” não pode ser lida apenas como um gesto institucional de respeito à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Pelo contrário, revela uma manobra política calculada, típica de quem domina os bastidores de Brasília.

A proposta foi enterrada de forma unânime pela CCJ, mas é ingênuo imaginar que o tema esteja definitivamente fora do jogo. O que se viu foi uma operação de contenção de danos, um recuo estratégico diante da repercussão negativa e da resistência explícita de parlamentares e da opinião pública. Em Brasília, nada morre de verdade: textos rejeitados voltam com outro nome, outra roupagem, mas com a mesma essência.

A PEC aprovada na Câmara, em dois turnos, previa blindagem inédita para deputados e senadores, ao exigir autorização das Casas Legislativas para processar ou prender parlamentares. Ao barrar a tramitação no Senado, Alcolumbre não deu uma demonstração de compromisso democrático, mas sim um gesto de sobrevivência política. Sabia que levar o tema ao plenário custaria caro à sua imagem e à relação com o governo e com a sociedade civil.

A pergunta que se impõe é: quanto custará ao Congresso essa manobra? Se a blindagem volta em novo formato, o desgaste político será ainda maior. Se não volta, o arquivamento pode significar uma moeda de troca, utilizada por Alcolumbre para manter o controle da pauta e negociar outros interesses.

A decisão, portanto, não encerra a discussão. Apenas adia. A história legislativa mostra que propostas polêmicas ressurgem discretamente, anexadas a outros textos, inseridas em emendas ou empacotadas como reformas. Nesse jogo, quem ganha não é a transparência democrática, mas a habilidade de manipular a agenda.

Alcolumbre pode até ter enterrado a PEC da Blindagem por ora. Mas a blindagem política, essa, continua viva — e é justamente ela que determina quem avança e quem é derrotado nos corredores do Congresso.

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