O sal de Grossos pode não chegar ao mercado brasileiro
Grossos (RN) — A cidade que é referência na produção de sal e sustento de milhares de famílias do litoral potiguar corre o risco de ficar esquecida no mapa das prioridades do governo estadual. A RN-012, estrada vital para o escoamento da produção, está em situação precária, quase intrafegável, e já afasta carreteiros que se recusam a buscar o sal nas salinas. Sem estrada, a riqueza que nasce do trabalho árduo dos salineiros pode simplesmente encalhar, deixando Grossos isolada e comprometendo sua participação no mercado nacional.
Enquanto isso, a governadora volta os olhos para Mossoró, onde monta palanque eleitoral antecipado, inaugura obras e repete discursos que soam mais como ensaio de campanha do que compromisso administrativo. No sábado, a agenda se estende até Areia Branca, mas Grossos segue ignorada, como se sua importância econômica e social não tivesse peso algum.
O contraste é evidente: de um lado, a política do espetáculo, com holofotes e promessas ensaiadas; do outro, a dura realidade de um município que pode perder sua capacidade de escoar a produção de sal, patrimônio que atravessa gerações. Grossos pede socorro e não pode ser lembrada apenas no período eleitoral, quando os pedidos de voto batem à porta.
Sem estrada, não há escoamento. Sem escoamento, não há mercado. E sem mercado, Grossos corre o risco de se tornar o retrato amargo do abandono político em plena Costa Branca potiguar.

