O Grito das Ruas: A Bengala que Vê por Você
Eu me lembro de uma Mossoró que parecia acolhedora no abraço do seu povo, onde as calçadas eram caminhos de prosa e vizinhança, não armadilhas escondidas. Voltar à rua 6 de Janeiro, bem pertinho da UPA do Santo Antônio, trouxe um aperto profundo ao peito. Fui até lá exercendo meu papel de repórter, mas o cenário encontrado foi o retrato doloroso da dignidade humana se apagando na poeira do esquecimento.
Ao caminhar por ali, os passos das pessoas já não carregam a alegria de antigamente; hoje, o que ecoa é o silêncio de uma comunidade deixada de lado. Os resíduos acumulados e as águas pluviais correndo a céu aberto sufocam as memórias de um lugar que merecia cuidado. Senti grande tristeza quando minha bengala bateu na borda fria daquela cratera enorme, aberta no meio da via, sem nenhuma proteção. Percebi o vazio do buraco e, junto com ele, a ausência do poder público. É lamentável ver como a esperança da nossa gente vai sendo engolida pelo descaso urbano.
Dizem que o tempo transforma as coisas, mas a periferia jamais deveria mudar para pior. Enquanto a gestão municipal fecha os olhos e vira as costas para a nossa história, sigo firme na missão de trazer a verdade à tona. É por isso que este espaço mantém o compromisso sagrado do seu lema: A Bengala que Vê por Você. Onde os governantes preferem a escuridão da omissão, meu instrumento de trabalho tateia a realidade, denuncia o abismo e resgata a voz de quem não pode ser esquecido.
Rua seis de Janeiro próximo à UPA do Santo Antônio
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