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A CONTA CHEGOU: O JOGO DE ESPELHOS EM BRASÍLIA

por Wilton Medeiros

A movimentação em torno do fim da escala 6×1 vai muito além de uma simples mudança na jornada de trabalho. Em entrevista, o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que a proposta deve avançar, reforçando o discurso de que se trata de um avanço social para o trabalhador, com mais qualidade de vida e equilíbrio na rotina  .

Mas, nos bastidores de Brasília, o cenário ganha outra leitura. Em conversas recentes, analistas políticos apontam que o acordo foi além do que aparece publicamente. O entendimento é de que há um alinhamento sólido entre Motta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, formando uma engrenagem de poder capaz de influenciar diretamente os rumos do Legislativo.

A leitura que circula é direta: enquanto a pauta social é apresentada ao povo como conquista, nos bastidores ela funciona como instrumento de consolidação política. A proposta ganha força porque une interesse popular com estratégia de poder.

Para o público, fala-se em redução da jornada e melhoria de vida. Nos corredores do Congresso, o que se comenta é a construção de um bloco político com capacidade de sustentar o comando da Câmara pelos próximos anos.

No fim, o jogo é claro: a vitrine é social, mas a engrenagem é política. Em Brasília, quando o discurso emociona e a articulação funciona, o projeto avança — e o poder se organiza para durar mais tempo.

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