por Wilton Medeiros

O abandono da gestão En Icapui é visível

A denúncia que chega à redação expõe um cenário alarmante e, ao mesmo tempo, revoltante: há mais de um mês o lixo hospitalar de Icapuí não estaria sendo recolhido de forma adequada. Trata-se de um problema que ultrapassa a esfera administrativa e entra diretamente no campo da saúde pública, da responsabilidade ambiental e, sobretudo, da legalidade. O descarte de resíduos hospitalares exige rigor técnico, sendo regulamentado por normas como a RDC 222 da Anvisa e resoluções ambientais específicas, que determinam coleta por empresas especializadas e destinação segura  .

Quando há indícios de que esse material — potencialmente infectante — esteja sendo lançado em lixões comuns, o que se desenha é um quadro grave: risco direto à população, contaminação do solo, da água e exposição de trabalhadores e catadores a agentes biológicos perigosos  . Mais do que falha administrativa, isso pode configurar crime ambiental, com responsabilização civil e penal dos gestores envolvidos  .

A pergunta que ecoa nas ruas é inevitável: onde está o dinheiro público destinado à limpeza urbana e ao gerenciamento de resíduos de saúde? Porque recurso existe — o que parece faltar é gestão, prioridade e respeito com a população. A chamada “gestão da renovação” não renovou o básico: o cuidado com a vida.

É inaceitável que, em pleno 2026, uma cidade permita que lixo hospitalar seja tratado como lixo comum. Isso não é apenas descaso — é negligência institucionalizada. É brincar com a saúde do povo.

Diante da gravidade dos fatos, é urgente um posicionamento firme do Ministério Público, bem como uma atuação efetiva da Câmara de Vereadores, que tem o dever constitucional de fiscalizar o Executivo. O silêncio, neste caso, não é neutro — é conivente.

A população de Icapuí não pode pagar com doença, risco e abandono por uma gestão que parece ignorar a lei, a ciência e o mínimo de responsabilidade pública. Aqui não se trata de política — se trata de vida.

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