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Gestão pode levar a cidade de Icapuí ao colapso total

por Wilton Medeiros

ICAPUÍ À BEIRA DO COLAPSO: ENTRE O DISCURSO E A REALIDADE

Icapuí vive um paradoxo administrativo que já não pode ser ignorado. O alerta não vem apenas dos números frios da contabilidade pública, mas da própria estrutura interna do município. O sindicato dos servidores foi direto: a máquina cresceu de forma desproporcional para uma cidade de pequeno porte, tornando-se pesada, custosa e difícil de sustentar.

O discurso de enxugamento, que um dia embalou promessas de eficiência, deu lugar a uma prática que revela o oposto. A ampliação de cargos e vínculos cria a sensação de movimento, mas, na essência, denuncia uma gestão que parece incapaz de impor limites a si mesma. Como se houvesse uma necessidade constante de ocupar espaços, mesmo quando o custo disso compromete o futuro.

Os dados fiscais apenas confirmam o que já se percebe na prática. Quando a folha de pessoal avança sobre a Receita Corrente Líquida, o município deixa de planejar e passa a reagir. Governa para manter a estrutura, não para transformar a realidade. É uma engrenagem que gira para dentro, consumindo energia sem produzir avanço.

O sindicato, ao levantar a voz, expõe mais do que um problema técnico: revela um ambiente onde o excesso se tornou rotina. E o mais preocupante não é apenas o crescimento da máquina, mas a naturalização desse processo.

O risco é concreto. Serviços podem colapsar, investimentos deixam de existir e a credibilidade da gestão se esvai. Quando o poder público se volta para si mesmo, a população fica à margem.

Cabe à Câmara Municipal interromper esse ciclo. Fiscalizar, questionar e exigir responsabilidade não é embate político — é compromisso institucional.

A imagem que se impõe é inevitável: o barco segue sem direção. E quando a liderança falha em corrigir a rota, quem paga o preço não é quem governa, mas quem depende do governo para viver com dignidade.

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