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Governadora vendendo conversa deve permanecer no cargo até o fim por entregar o governo tampão pra oposição a decisão é dela

por Wilton Medeiros

A BOLHA DO PODER E O DESPERTAR DO VICE

O debate político no Rio Grande do Norte deixou de ser apenas sobre alianças e passou a ser sobre sobrevivência administrativa. Em meio a um cenário fiscal delicado, o vice-governador Walter Alves enxergou o que muitos evitam admitir: não há espaço para improviso num Estado pressionado por despesas crescentes e receitas instáveis. Ao identificar em Allyson Bezerra uma alternativa viável de gestão e competitividade eleitoral, Walter sinaliza pragmatismo político, não ruptura emocional.

Enquanto isso, a governadora parece optar pelo confronto retórico. Sem apresentar uma agenda consistente de enfrentamento da crise estrutural, prefere atribuir ao antigo aliado a pecha de infidelidade. No entanto, a realidade é mais complexa. A dificuldade em consolidar um sucessor e a resistência em assumir um “governo tampão” revelam cálculo político: ninguém deseja herdar um mandato curto, com caixa comprimido e margem fiscal reduzida.

O MDB, historicamente tratado como base auxiliar, deixou de ser escada para se afirmar como voz ativa. O apoio declarado a Allyson não representa mera conveniência, mas reposicionamento estratégico diante de um Estado que precisa sair da UTI administrativa. Persistir na crítica sem autocrítica pode custar caro nas urnas. O eleitor potiguar, cada vez mais atento, quer soluções concretas — não narrativas defensivas.

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