LULA VAI VETAR SE O CONGRESSO APROVAR
O silêncio de Washington falou mais alto do que qualquer discurso. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) alertou o pai, Jair Bolsonaro, de que os Estados Unidos recuariam em qualquer gesto de apoio caso o Congresso aprovasse a chamada “anistia light”, projeto que reduziria as punições aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
As mensagens, incluídas no relatório da Polícia Federal, revelam o tom de preocupação dentro do núcleo bolsonarista. Eduardo teria dito: “Se a anistia light passar, a última ajuda vinda dos EUA terá sido o post do Trump. Eles não irão mais ajudar.” A frase sintetiza o fim de um ciclo: o do bolsonarismo com pretensões de influência internacional.
O alerta expõe o esvaziamento político de um grupo que acreditava ter no atual presidente norte-americano, Donald Trump, um aliado fiel. Mas a realidade mostra que nem mesmo o antigo ídolo conservador está disposto a sustentar uma narrativa de autodefesa que soa como tentativa de apagar responsabilidades.
Enquanto isso, o presidente Lula já sinalizou que, se o Congresso insistir em aprovar o texto da “anistia light”, vetará integralmente o projeto. O Planalto considera a proposta um gesto de impunidade e uma afronta direta à democracia.
O veto, segundo fontes próximas, não será apenas jurídico, mas simbólico: a reafirmação de que o Brasil institucional não se curvará à política do “vale tudo”. Lula quer marcar posição — de que o perdão não pode ser confundido com esquecimento e que o Estado Democrático de Direito não se negocia por conveniência política.
A extrema direita, agora sem eco no exterior e sem o apoio popular de antes, enfrenta o próprio reflexo: a solidão política. O isolamento é consequência das escolhas. A tentativa de reescrever a história em nome de uma falsa “pacificação nacional” colide com a memória recente de um país que ainda sente as feridas abertas pelo 8 de janeiro.

