SEM CONSENSO, DIREITA PERMANECE DIVIDIDA
O movimento que era para unir a direita segue se fragmentando em meio a vaidades e disputas de bastidor. O ex-assessor de Pablo Marçal — que também foi articulador político do governador Tarcísio de Freitas — tenta agora uma aproximação entre o grupo da Faria Lima, em São Paulo, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A missão, porém, parece quase impossível. O empresariado paulista, acostumado à previsibilidade e aos acordos institucionais, vê com desconfiança a instabilidade e a linguagem incendiária que ainda dominam o campo bolsonarista.
Enquanto isso, o presidente Lula observa a cena de camarote. Nesta quinta-feira, em Belo Horizonte, ele aproveitou para ironizar o governador Romeu Zema, afirmando que “não vai a lugar nenhum”. O tom foi de deboche, mas a mensagem é política: Lula percebe a desorganização da direita e sabe que a falta de unidade é o combustível de sua força.
Nos bastidores, há quem diga que Flávio tenta se projetar como herdeiro do legado do pai, mas a movimentação tem sido lenta, cheia de ruídos e mal recebida por parte do mercado. A tentativa de interlocução com a Faria Lima demonstra que há percepção de fraqueza — o senador busca validação fora do círculo ideológico, mas enfrenta resistências até dentro do próprio PL.
Nota do blog: ou a direita se une agora, com projeto e liderança real, ou continuará refém do improviso e do ego de seus próprios quadros. Se Flávio Bolsonaro insistir em “jogar até junho”, testando apoios e empurrando decisões, Lula rirá por último — e talvez vença no primeiro turno.

