Nesta semana, Davi Alcolumbre e Hugo Motta protagonizaram uma encenação que não convenceu ninguém. Entre declarações cruzadas e gestos calculados, ambos simularam tensão com o Palácio do Planalto, mas o movimento soou mais como blefe político para distrair a plateia do que como enfrentamento real. O governo já definiu o rumo: Lula quer Jorge Messias no STF, e o recado foi claro. Nos bastidores, a frase ecoa entre líderes partidários — “no Congresso eu não peço, eu mando” — refletindo a relação de dependência que muitos parlamentares mantêm com o Executivo. Enquanto a cena se desenrola, o Senado se prepara para o dia 10, quando a indicação de Messias será votada. A expectativa em Brasília é de aprovação tranquila, não por consenso institucional, mas pela submissão silenciosa de um Parlamento que prioriza emendas, acordos e conveniências acima do debate público. A disputa entre Alcolumbre e Motta, longe de representar resistência, apenas reforça o teatro político que se repete a cada semana: discursos para impressionar as câmeras e alinhamento total quando as luzes se apagam. O país observa tudo de longe, percebendo que as grandes pautas seguem paradas, como a discussão honesta sobre a anistia de 8 de janeiro e a necessidade de transparência no uso do poder. O Congresso, que deveria agir com independência, se acomoda. E, mais uma vez, a democracia se transforma em cenário, enquanto a verdadeira decisão já foi tomada fora do palco.

