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A permanência de Bolsonaro preso não é surpresa

por Wilton Medeiros

A prisão de Jair Bolsonaro foi mantida com os votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino, sinal claro de que o desfecho já está traçado. Em Brasília, esperar que o Congresso interfira mostra-se inútil: a Casa opera de joelhos. Hugo Motta bloqueia qualquer projeto de anistia e Lula encaminha a indicação de Messias para o STF, sem ruído. A direita se esmurra internamente enquanto a esquerda avança com mecanismo afinado — e o problema não está somente em Bolsonaro, mas no fato de que cerca de 80% dos deputados e senadores parecem mais alinhados à agenda do governo do que ao povo.

O país observa uma engenharia silenciosa: primeiro neutraliza-se o símbolo político; depois isola-se seus aliados; logo molda-se o discurso. Pequenos pacotes emergenciais serão dados à população — meio salário aqui, benefício ali — para distrair enquanto a liberdade se acomoda. Uma vez que o controle avança, passam a vir limitações à imprensa, apertos nas redes sociais, pressão sobre empresas de comunicação. Hoje é Bolsonaro, amanhã qualquer voz que ouse sair da cartilha oficial.

E tudo acontece exatamente quando o presidente viaja: enquanto ele externo diz “não interfiro”, os marcos internos se movem. O Brasil caminha para a repetição de modelos onde o Estado define quem pode falar, o que pode dizer e como deve agir. A mordaça institucional está apenas começando.

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