A DIREITA QUE ENTREGA A ELEIÇÃO
A nova pesquisa Quaest expõe um paradoxo que a direita brasileira finge não ver. Enquanto Lula enfrenta desgaste entre os independentes — 43% de aprovação contra 52% de desaprovação — quem deveria fazer oposição se esconde atrás de discursos vazios e votações silenciosas. A direita que diz enfrentar o governo é a mesma que, nos corredores, entrega os votos que o Planalto precisa para pavimentar a reeleição. Estratégia? Não. Instinto de sobrevivência.
Enquanto Lula manda reformar a Papuda e mantém o discurso de que Bolsonaro deve “pagar”, parcelas do campo conservador se ajoelham ao governo para garantir emendas, cargos e espaços. É a oposição que trabalha, na prática, como base auxiliar, permitindo que o governo avance sem resistência real. A esquerda joga unida; a direita se rende antes do jogo começar.
Essa rendição estratégica tem um custo: quem paga é o povo, que vive a falta de medicamentos, a queda dos serviços públicos e a ausência de liderança que o represente de fato. A direita, fragmentada e movida por vaidades, não constrói projeto. Constrói conveniências.
Se nada mudar, Lula não será reeleito pela força do governo — mas pela covardia estratégica de uma oposição que se diz gigante, mas ajoelha quando o Planalto chama pelo nome.

