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CPI do INSS Abraão Lincoln não diz nada por nada diz relatou e Confederação recebeu milhões e o aposentada está pagando a conta

por Wilton Medeiros

O Congresso Nacional é um dos mais onerosos do planeta e, paradoxalmente, um dos que menos entrega resultados à sociedade. A recente denúncia contra a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), investigada por descontos indevidos em aposentadorias do INSS, revela o quanto o Brasil convive com a impunidade institucionalizada. Milhares de aposentados descobriram, tarde demais, que parte de seus benefícios havia sido desviada sem autorização — e, mesmo diante desse absurdo, o Legislativo permanece inerte. As Comissões Parlamentares de Inquérito, criadas para apurar escândalos como esse, tornaram-se meros palcos de encenação política. Deputados se revezam em discursos inflamados, prometem rigor e transparência, mas, na prática, transformam a investigação em espetáculo. O resultado é previsível: o escândalo termina em pizza, e o cidadão, mais uma vez, paga a conta. Essa rotina de farsas sucessivas mostra que o país se acostumou com a corrupção e com o faz-de-conta institucional. O Congresso, que deveria zelar pelo interesse público, tornou-se um espelho da própria sociedade — acostumada a se indignar por um dia e se calar no outro. Enquanto o povo espera justiça, os políticos protegem seus pares, blindam aliados e mantêm o sistema funcionando exatamente como sempre foi: moroso, burocrático e seletivo. O caso da CBPA é apenas mais um entre tantos que ilustram o descaso com o dinheiro do contribuinte. O aposentado, que lutou por décadas para garantir um benefício digno, vê-se enganado por entidades que agem sob a complacência do poder público. O silêncio das instituições é tão grave quanto o crime em si, pois alimenta o ciclo da descrença e da desconfiança no Estado. A omissão se repete, e o país permanece prisioneiro da própria inércia moral. O Congresso fala em ética, mas se cala diante do que realmente importa. O discurso é de reforma, mas a prática é de conveniência. Enquanto isso, o cidadão continua financiando privilégios, aguardando uma mudança que nunca chega. O problema do Brasil não é falta de leis, e sim de coragem para aplicá-las. O povo, cansado de pagar por um sistema que não o representa, merece mais do que promessas e notas oficiais: merece justiça e respeito. Até lá, a pizza continuará sendo o prato mais servido na mesa do poder.

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