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Governo Lula prefere ganhar pouco do que ficar sem nada

por Wilton Medeiros

Governo Lula recua e aceita desidratar a Medida Provisória que altera o IOF, tentando salvar parte da arrecadação prevista para este ano. A equipe do ministro Fernando Haddad estimava ganhos de R$ 35 bilhões, mas, diante da resistência do Congresso e de pressões econômicas, o governo agora tenta assegurar pelo menos R$ 15 a R$ 17 bilhões. O Palácio do Planalto sabe que, sem esse reforço, o equilíbrio fiscal e a meta de déficit zero ficam ameaçados. Nos bastidores, Haddad tem se reunido com líderes partidários, como Carlos Zarattini e Hugo Motta, buscando consenso antes que a medida provisória perca validade. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, admitiu que será preciso ceder: “Se conseguirmos salvar metade do valor, já será uma vitória.” A votação da MP foi adiada três vezes, e a base aliada teme uma nova derrota política. Para economistas, se a arrecadação cair, o governo precisará buscar novas fontes de receita, o que pode significar cortes de gastos ou aumento de tributos em outros setores. O dilema de Lula é manter o discurso de responsabilidade fiscal sem perder o apoio político necessário para aprovar pautas estratégicas. A MP do IOF virou mais que uma questão técnica: tornou-se um teste de credibilidade para um governo que tenta provar que é capaz de equilibrar política e economia sem comprometer a confiança do mercado e o apoio do Congresso.

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