FUMAÇA BRANCA ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS: LULA QUER SALVAR MORAES
O Planalto prepara terreno para uma conversa decisiva entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Não será apenas sobre tarifas ou comércio: o governo brasileiro quer negociar a reversão das sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes pela Lei Magnitsky e, de quebra, retomar vistos suspensos de autoridades nacionais.
Em julho, Moraes foi incluído na lista da OFAC, acusado de violar liberdades individuais. A medida congelou bens em território americano e suspendeu permissões de entrada. Para o governo, a reversão é vista como questão de soberania e respeito institucional.
A movimentação ganha peso político. Lula aparece como um leão feroz na defesa de suas instituições, enquanto Trump usa tarifas de até 50% como arma de barganha. Ainda assim, existe espaço para entendimento. Como as sanções são executivas, o presidente dos EUA pode ordenar o “delisting” de Moraes, revertendo os efeitos da medida.
Se a iniciativa prosperar, Lula marca pontos em dois tabuleiros: dentro do Brasil, neutraliza adversários que celebraram a punição; no exterior, mostra habilidade para abrir diálogo até com um aliado improvável. Para apoiadores de Bolsonaro, a reversão seria interpretada como derrota simbólica. Para observadores internacionais, surgem dúvidas: até que ponto o Brasil está disposto a intervir em favor de uma autoridade de seu Judiciário em outro país?
Enquanto Brasília articula e Washington observa, o mundo acompanha a cena. Lula aposta na diplomacia direta para transformar pressão em trunfo e mostrar que, mesmo em tempos de sanções, o Brasil não se curva.

