Início » Pergunta que não quer calar. O que a governadora veio fazer em Mossoró? Inauguração de alguma obra? Trazer remédio pro Tarcísio Maia? Ou apenas participar do Chuva de Bala e fazer política pensando em 2026? Ponto.

Pergunta que não quer calar. O que a governadora veio fazer em Mossoró? Inauguração de alguma obra? Trazer remédio pro Tarcísio Maia? Ou apenas participar do Chuva de Bala e fazer política pensando em 2026? Ponto.

por Wilton Medeiros

FÁTIMA BEZERRA VISITA MOSSORÓ: PROMESSAS, FESTAS E UM SILÊNCIO ENSURDECEDOR SOBRE A CRISE NA SAÚDE PÚBLICA

A governadora Fátima Bezerra desembarca nesta sexta-feira (27) em Mossoró, prometendo cumprir uma “agenda oficial” que se estende até sábado (28) na região Oeste potiguar. No roteiro, visitas a Baraúna, Dix-Sept Rosado e, claro, participação no tradicional espetáculo “Chuva de Bala no País de Mossoró”. Mas, diante da realidade que grita nos corredores dos hospitais públicos do Estado, a presença da chefe do Executivo soa mais como encenação de campanha do que como gesto de governança.

A grande pergunta que se impõe é direta: Fátima veio para trazer medicamentos e socorro ao Hospital Regional Tarcísio Maia ou apenas para posar em fotos, sorrir em camarotes e alimentar o marketing eleitoral? A resposta, infelizmente, parece óbvia para quem depende do SUS: promessas em excesso, ações concretas de menos.

A crise na saúde do Rio Grande do Norte não é restrita ao Oeste. Segundo matéria recente publicada pelo portal G1, até o maior hospital do estado, o Walfredo Gurgel, em Natal, sofre com a falta crônica de medicamentos, materiais cirúrgicos e insumos básicos. O caos é generalizado. Médicos improvisam, pacientes esperam por dias, e o Estado silencia. O que se vê é um governo que, enquanto promove agendas festivas, negligencia o que deveria ser prioridade: a vida das pessoas.

É justo celebrar a cultura, mas é inadmissível que se priorize festa enquanto cidadãos padecem à espera de atendimento. Em vez de aplausos, o que o povo espera são atitudes. Em vez de discursos, soluções. A governadora pode até subir ao palco da encenação histórica de Mossoró, mas precisa entender que o povo não quer espetáculo — quer dignidade.

Fica o apelo: que Fátima Bezerra desça do palanque, caminhe pelos corredores dos hospitais, ouça os profissionais da saúde e olhe nos olhos de quem agoniza em uma maca. Porque enquanto ela participa da “Chuva de Bala”, a saúde pública do Rio Grande do Norte já está em estado de calamidade.

Desejo que esse texto ecoe não apenas nas redes sociais, mas nos gabinetes onde decisões precisam ser tomadas com urgência.

Postagens relacionadas