Início » Congresso brasileiro é um dos mais caros do mundo. Lula sofre o amargo da derrota e o Congresso dá o tom: quem manda somos nós e não o PT. Ricos são contemplados. Enquanto isso, a PEC da anistia é só discurso vazio nas ruas.

Congresso brasileiro é um dos mais caros do mundo. Lula sofre o amargo da derrota e o Congresso dá o tom: quem manda somos nós e não o PT. Ricos são contemplados. Enquanto isso, a PEC da anistia é só discurso vazio nas ruas.

por Wilton Medeiros

LULA SOFRE DERROTA CONTUNDENTE NO CONGRESSO E EXPÕE FRAGILIDADE POLÍTICA

O governo Lula sofreu um revés simbólico e profundo no dia 25 de junho, quando a Câmara dos Deputados aprovou, por esmagadores 383 votos a 98, o projeto que derrubou os decretos do Executivo que aumentavam o IOF. A derrota representa mais que um embate fiscal: é uma clara demonstração do enfraquecimento político do governo e da sua dificuldade de manter diálogo com o Congresso Nacional.

OS MOTIVOS DO FRACASSO
• BASE GOVERNISTA EM FRANGALHOS
Partidos que sustentam o governo e ocupam ministérios, como PSD, Republicanos, MDB e União Brasil, votaram em massa contra o Planalto. Isso evidencia que o apoio formal já não se traduz em fidelidade prática. A articulação política falhou mais uma vez.
• DESORGANIZAÇÃO E IMPROVISO
A pauta foi colocada de surpresa durante a madrugada pelo presidente da Câmara, sem que houvesse coordenação prévia com os líderes do governo. Deputados relataram que ministros sequer sabiam da movimentação. Tentativas de obstrução não surtiram efeito e só evidenciaram o descontrole do Executivo.
• CHANTAGEM FISCAL SEM EFICÁCIA
O governo tentou, nos bastidores, convencer parlamentares com a ameaça de contingenciar mais de R$ 12 bilhões em emendas. A manobra não funcionou. O Congresso respondeu com independência, rejeitando a pressão do Palácio do Planalto e sustentando sua soberania.
• APOSTA NA JUDICIALIZAÇÃO
Sem votos no Parlamento, o governo sinalizou recorrer ao Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da Fazenda e a Advocacia-Geral da União avaliam se há fundamentos para contestar a decisão legislativa. A insistência em acionar o Judiciário contra o Legislativo aumenta a tensão institucional e enfraquece ainda mais a imagem de um governo que deveria ser de reconstrução e diálogo.

BASTIDORES E TENSÕES

Nos corredores de Brasília, já se fala na queda do ministro da Fazenda. Setores do Centrão pressionam para que Fernando Haddad seja substituído, como forma de reverter o desgaste. Lula, no entanto, resiste. A manutenção de Haddad, mesmo diante das derrotas, revela mais um ponto de conflito: a convicção pessoal do presidente em manter sua equipe contra a vontade política da base aliada.

CONSEQUÊNCIAS GRAVES
• ROMBO NO ORÇAMENTO
A arrecadação prevista com o aumento do IOF era de quase R$ 10 bilhões neste ano. Sem esses recursos, o governo poderá ter que cortar despesas em áreas sensíveis, como saúde, educação e programas sociais.
• IMAGEM DE FRAGILIDADE
A derrota amplia a percepção de que Lula perdeu o controle do governo e que sua base, embora numerosa no papel, é instável e imprevisível. A cada derrota, o Executivo se isola mais, enquanto o Congresso avança com sua própria pauta.
• RISCO ELEITORAL ANTECIPADO
A um ano da eleição, o governo já dá sinais de fadiga política. Sem capacidade de articulação, acumulando derrotas e apelando ao Judiciário, Lula caminha para um cenário de desgaste crescente. A fragilidade exposta agora pode comprometer não apenas a governabilidade, mas também as alianças para 2026.

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