por Wilton Medeiros

Será que o Congresso se ajoelhou aos pés de Lula por amor ao povo ou com interesse nas emendas? Ponto.

Será que o Congresso se ajoelhou aos pés de Lula por amor ou por emendas?

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou a liberação de emendas parlamentares exatamente às vésperas de uma derrota estratégica na Câmara dos Deputados. A manobra ocorreu logo antes da aprovação do requerimento de urgência do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314 de 2025, que busca revogar o decreto do ministro Fernando Haddad, responsável pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Entre os dias 12 e 16 de junho, os empenhos para deputados e senadores dispararam, saltando para R$ 56,2 milhões. Um movimento explícito e coordenado, claramente voltado a conter insatisfações e garantir fidelidade no plenário.

O episódio vai além da simples articulação política. Ele revela, mais uma vez, a fragilidade do eleitor brasileiro, que insiste em votar em parlamentares cujo compromisso não está no interesse público, mas na barganha de emendas. Deputados e senadores priorizam a distribuição de recursos para prefeitos e vereadores em troca de apoio local e manutenção de suas caríssimas bases eleitorais. É um ciclo vicioso alimentado por um sistema que favorece o clientelismo, a omissão e a conveniência.

O Brasil quebra assim: pela escolha de representantes que negociam o futuro da nação como se estivessem em um balcão de negócios. E esse é o jeito do PT governar — quando o discurso e a pressão não bastam, abre-se o cofre da União. Onde o dinheiro não resolve, é porque foi pouco.

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