Jantar com pizza, camarão e muito churrasco — e o pobre pagando a conta
Enquanto o Brasil real enfrenta cortes na educação, atrasos em serviços públicos e o aumento do custo de vida, a cúpula do poder político se prepara para mais um jantar regado a pizza, camarão e muito churrasco — tudo isso na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, neste domingo (8). O encontro, que reúne figuras como o ministro da Fazenda Fernando Haddad e senadores como Davi Alcolumbre, trata de um “acordo” bilionário envolvendo o IOF, imposto que pode render até R$ 60 bilhões aos cofres da União até 2026. Mas o que está em jogo não é apenas a arrecadação, e sim: quem vai pagar essa conta?
A resposta é simples e amarga: não serão os ricos. Os grandes empresários, os bancos, os donos do mercado financeiro — esses continuam blindados. O Brasil, país da desigualdade tributária, mais uma vez empurra a fatura para os ombros do trabalhador, do pequeno empreendedor, do estudante que depende de políticas públicas. O dinheiro que deveria vir de uma reforma tributária justa está sendo buscado no bolso de quem já não tem mais de onde tirar.
O jantar desta noite pode até parecer sofisticado no cardápio, mas é podre em conteúdo moral. Camarão para os convidados, e migalhas para o povo. Pizza para selar o silêncio sobre os verdadeiros responsáveis pela crise fiscal. Churrasco para brindar um pacto de conveniência entre Executivo e Legislativo, enquanto o povo é jogado na grelha da indiferença.
A divulgação do acordo foi adiada, sob a desculpa de uma reunião com líderes partidários. É a velha prática do toma-lá-dá-cá. É o jogo de bastidores que repete o mesmo roteiro: decisões à margem da população, combinadas entre elites que vivem longe da realidade das ruas.
Enquanto isso, universidades ficam sem verba, a saúde pública agoniza, o funcionalismo vê seus direitos serem corroídos, e o povo — esse povo que sustenta tudo — segue sem voz, sem vez e, mais uma vez, sem prato.
Essa não é apenas uma crítica à condução da Fazenda. É uma denúncia contra um modelo de governança que se esqueceu de onde vem a verdadeira riqueza da nação: do suor da classe trabalhadora. E que fique claro: jantar de pizza, camarão e churrasco às custas do povo é mais que imoral — é um escárnio.

