Ex-presidente Bolsonaro deverá usar torno Zéo eira eletrônica um passo para prisão. 
ENQUANTO DISCUTEM TORNOZELEIRA PARA BOLSONARO, O POVO SEGUE ACORRENTADO ÀS CONTAS DO CONGRESSO
Mais uma operação da Polícia Federal deflagrada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, ministros do Supremo Tribunal Federal discutem se colocam ou não tornozeleira eletrônica no ex-mandatário. A Justiça age, mas a política hesita — e nesse impasse, quem apanha é o povo brasileiro.
O Brasil segue dividido, tensionado, refém de uma polarização que não termina. Mas por trás desse teatro de operações e decisões parciais, há uma verdade que poucos têm coragem de dizer: a culpa maior é do Congresso Nacional. Especialmente do chamado “Centrão”, que domina a presidência da Câmara e do Senado, mas virou submisso ao Planalto.
A Constituição Federal é clara: há freios e contrapesos. Mas o que se vê hoje é um desequilíbrio institucional alarmante. A PEC da anistia, que poderia restaurar o debate democrático sobre os atos políticos de 8 de janeiro, está engavetada. E por quê? Para agradar ao presidente Lula. Os presidentes da Câmara e do Senado deixaram de cumprir seu papel constitucional e se transformaram em fiéis escudeiros de um governo que trata a democracia como balcão de trocas.
Deputados e senadores fazem discursos ensaiados nas redes sociais, mas nos bastidores, muitos se ajoelham diante do Planalto em troca de emendas, cargos e prestígio. É o velho toma-lá-dá-cá que transforma o Congresso num espaço de barganha, enquanto projetos essenciais ao povo são derrubados sem qualquer reação firme da base legislativa.
É por isso que ecoa, nas ruas e nas periferias, o grito do povo mais pobre: “Se é pra ser assim, melhor fechar o Congresso!”. Um grito de desespero, de revolta, de quem não suporta mais sustentar uma estrutura bilionária que não entrega resultados e nem representa quem mais precisa.
Enquanto isso, o Brasil real segue pagando a conta. Aumentam os impostos, explode o custo de vida, e as promessas de mudança viram pó no ventilador da velha política. A democracia está ferida — não por causa de Bolsonaro, Lula ou qualquer outro nome — mas porque os que deveriam defendê-la se renderam ao jogo sujo do poder.
Se continuar desse jeito, nem tornozeleira será suficiente para conter a indignação de um povo cansado de ser enganado.

