por Wilton Medeiros

Sem emendas, sem orçamento. Governo Lula terá dificuldade com a bancada de deputados e senadores que querem largar o osso do governo. Tudo em nome da permanência no poder a partir do próximo ano.

SEM EMENDAS, SEM ORÇAMENTO, SEM FUTURO: GOVERNO LULA ENFRENTA DIFICULDADES PARA ENTREGAR O MANDATO

Brasília — O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta se defender das críticas que se espalham pelo Congresso Nacional diante do baixo índice de liberação de emendas parlamentares. Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (24 de junho de 2025), a Secretaria de Relações Institucionais, comandada por Gleisi Hoffmann, alegou que a lentidão nos pagamentos se deve ao atraso na aprovação do Orçamento da União.

Segundo o governo, diferentemente de anos anteriores, quando o Orçamento era aprovado ainda em dezembro e sancionado em janeiro, o de 2025 travou no Congresso e só avançou com meses de atraso, o que teria dificultado os repasses.

Mas a verdade é que muitos parlamentares já comeram a carne e agora estão deixando o osso para o presidente. Nos primeiros meses do mandato, o apoio ao governo foi alto, em troca de espaços, favores e estrutura. Agora, com a queda de popularidade, a estagnação econômica e a ausência de entregas concretas, os mesmos aliados começam a pular fora. E sem emendas, o Planalto perde sua principal moeda de negociação.

O jogo político que sempre funcionou no famoso “toma lá, dá cá” desta vez emperrou. O governo prometeu, mas não entregou. A base de apoio, que já era frágil, está se desmanchando. E o tempo corre. As eleições de 2026 já batem à porta, e dificilmente o PT conseguirá sustentar o projeto de sucessão. O capital político de Lula está em queda livre, e o partido corre o risco de sair do poder pela porta dos fundos.

Sem emendas, não há governabilidade. Sem orçamento, não há execução. E sem resultados, não há sucessor. O relógio político não para. E o tempo do presidente pode estar se esgotando.

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