Não há mais dúvidas: o Partido Liberal (PL) está em colapso interno. A passagem de Jair Bolsonaro pelo Ceará, nesta sexta-feira, 30 de maio, escancarou rachaduras profundas no partido que já vinham sendo escondidas atrás de palanques e discursos prontos. O encontro com parlamentares revelou o que muitos preferiam ignorar: o líder que deveria unir agora divide — e isola.
Bolsonaro ficou “surpreso” com o clima de insatisfação. Mas é mesmo surpresa? Ou apenas mais uma prova de que sua vaidade o impede de enxergar o óbvio? O ex-presidente ainda age como se o tempo estivesse congelado em 2018. Não está. O Brasil seguiu em frente. Ele, não.
Esse episódio no Ceará pode ser apenas o primeiro de uma série. Será que no dia 11 ou 12 — será que às 11h00 da manhã, quando Bolsonaro desembarcar no Rio Grande do Norte — veremos o mesmo roteiro? Ou pior: haveremos de presenciar a implosão total de um projeto político que nunca foi coletivo, apenas voltado para um único nome?
O grande entrave hoje dentro do PL atende por Jair Bolsonaro. Um homem que se recusa a aceitar que o protagonismo pode — e deve — mudar de mãos. Que não admite que o candidato do momento talvez não seja ele. Que não tolera a ascensão de Tarcísio de Freitas ou qualquer outro nome que não pertença ao seu círculo familiar.
É sempre ele, depois ele, mais ele, e então sua família. O povo? Que aguarde. Ainda assim, muitos o seguem. Mas é hora de dizer com todas as letras: não existe uma direita organizada no Brasil. Existe apenas situação e oposição. E Bolsonaro se posiciona contra qualquer renovação, qualquer liderança que não passe por ele.
A idolatria em torno de sua figura já ultrapassou o campo político. Não há mais espaço para debate, apenas para reverência. Não há mais plano de governo, apenas frases feitas. E diante disso, surge a pergunta que muitos evitam, mas que não pode mais ser ignorada: será que Bolsonaro já faz parte — ou fará — do governo do anticristo? A pergunta choca, mas o nível de devoção cega e a recusa à razão beiram o fanatismo.
Política não é religião. É diálogo, projeto, construção coletiva. Quando se transforma em culto a um homem, o resultado é sempre o mesmo: ruína.
O PL corre risco de se tornar irrelevante, escravizado por um personalismo doentio. Se a direita quiser sobreviver — ou nascer, de fato — precisará romper esse laço tóxico com um mito que só sobrevive do passado.
E nós veremos. Veremos, com nossos próprios olhos, se o que aconteceu no Ceará foi apenas o primeiro ato… ou o prenúncio do fim.

