Governo Lula abraça a CPI do INSS — mas só porque não teve outra saída
Quem diria, hein? O governo Lula, que até ontem torcia o nariz para qualquer ideia de CPI, agora decidiu apoiar uma. Mas calma, não é porque virou fã de investigação, não. É porque ficou sem saída mesmo.
No início da tarde de hoje, no Palácio da Alvorada, rolou aquela típica reunião de emergência: ministros, líderes do governo e um cenário cada vez mais difícil de controlar. No centro da conversa, a tal CPMI que vai investigar fraudes no INSS. E sabe o que decidiram? Que o governo vai apoiar. Isso mesmo. Vão com a galera da CPI, como se sempre tivessem defendido a transparência.
Na prática, é um baita giro de 180 graus. O Planalto percebeu que, se não entrasse no jogo, seria atropelado por ele. Deixar a oposição comandar a narrativa? Nem pensar. A ideia agora é fingir que o governo está na linha de frente do combate às fraudes — mesmo que, até ontem, essa CPI fosse tratada como uma dor de cabeça a evitar a qualquer custo.
A mudança de tom tem nome: sobrevivência política. Com a pressão crescendo, inclusive entre eleitores do próprio Lula, ficou claro que o custo de ignorar o problema seria maior do que o de encarar a comissão. Melhor parecer proativo do que cúmplice por omissão, né?
Mas vamos combinar: essa súbita paixão por CPI não engana ninguém. Quando o alvo é algum aliado, o discurso é sempre o mesmo: “não é hora”, “isso é politização”, “vamos deixar os órgãos competentes agirem”. Mas quando o assunto começa a incomodar nas pesquisas ou ameaçar o capital político, aí a CPI vira uma aliada estratégica.
Em resumo: o governo não virou fã de CPI — só percebeu que, desta vez, o risco era maior em ficar fora do palco. Então decidiu calçar a sandália da moralidade e fingir que sempre esteve pronto pra investigar.
Se é teatro ou convicção, o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: quando o governo começa a apoiar CPI, é porque a água já bateu no queixo.

