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A zona rural de Areia Branca clama por água: queremos água!

por Wilton Medeiros

Areia Branca: entre a beleza do litoral e o abandono do interior

Areia Branca, terra de encantos naturais, de praias que abraçam o sol e de um povo acolhedor, vive hoje um contraste doloroso entre sua beleza exuberante e o abandono que grita nas comunidades rurais. Enquanto o mar canta poesia, o sertão clama por socorro.

Chegou à redação deste jornalista o desabafo angustiado de moradores da zona rural — Fagundes, Serra Vermelha e adjacências — que, cansados de esperar por promessas, agora carregam baldes na cabeça em busca de água, como se ainda estivéssemos em tempos remotos. Um cenário inaceitável em pleno século XXI.

A maioria dos vereadores ignora os clamores. Fazem vista grossa diante do sofrimento alheio. E o atual gestor municipal, já apelidado nas ruas como “prefeito calamidade”, coleciona promessas quebradas. Em campanha, prometia mundos e fundos. Pós-eleição, desaparece como água em riacho seco.

Cem dias de governo se passaram. E o que há para se comemorar? Festas. Apenas festas. Enquanto o som do palco ecoa na cidade, nas comunidades ecoa o silêncio do descaso. A gestão parece esquecer que o povo precisa mais de saúde do que de som, mais de educação do que de ornamentação, mais de respeito do que de shows.

A população sente saudade do prefeito do primeiro mandato. Aquele que andava nas ruas, apertava mãos, olhava nos olhos. Hoje, o povo que lhe abraçou nas urnas recebe as costas como resposta. As escolas estão deterioradas. Algumas precisam apenas de uma decisão simples, de uma ordem direta: “Secretário, conserte”.

Dinheiro há. O que falta é gestão, é empatia, é presença. Prefeitura, como bem diz o povo, é como riacho: de manhã enche, de tarde seca e à noite sangra. Este jornalista não cria fatos. Apenas relata aquilo que o povo vive e sente, com a honestidade de quem ouve mais do que fala.

Areia Branca merece mais. E o povo, acima de tudo, merece dignidade.

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