O Brasil espera o que o Senado não pode dar
O Brasil assistiu ontem a mais uma expectativa frustrada. A Constituição Federal garante que todo o poder emana do povo, mas a realidade política mostra que esse poder só dura o tempo de apertar o botão na urna eletrônica. Passada a eleição, a lógica se inverte: o cidadão deixa de ser o patrão e passa a ser abordoado pelas decisões de Brasília, tornando-se refém de quem deveria representá-lo. Esperar que o Congresso investigue seus próprios membros é o mesmo que acreditar em milagres.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deixou claro que o comando do tabuleiro é dele ao afirmar que a abertura da CPMI do Banco Master é uma prerrogativa exclusiva do cargo. O recado institucional foi curto e grosso: ali dentro ele manda, e a pauta só avança se for de seu interesse político.
O forno a lenha do Parlamento já está aquecido e a lenha está queimando; o cardápio deste ano está definido e a pizza já está pronta para ser servida.
O país não deve esperar nenhuma investigação para este ano. Movimentação real sobre esse assunto só acontecerá no próximo ano, e estritamente se o senador garantir os votos dos parlamentares para ser reeleito na presidência da Casa. Até lá, o foco total de Brasília será o jogo eleitoral, enquanto a sociedade segue à espera de uma resposta que o Senado se recusa a dar.

