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Icapuí testemunha hoje um paradoxo administrativo que ameaça o alicerce de sua economia: a tentativa de planejar o turismo local ignorando os bugueiros. Articular o futuro da Rota das Falésias sem o diálogo com as associações de classe é um equívoco técnico e social. É o equivalente a organizar um espetáculo sem o elenco principal; uma estrutura sem base que ignora quem, de fato, conhece cada curva das dunas e detém a confiança do visitante.
<p>O desenvolvimento regional não se consolida apenas com diretrizes traçadas em gabinetes isolados, mas com a expertise de quem vivencia o cotidiano "pé na areia". Ao barrar os trabalhadores do processo decisório, a gestão municipal opta por uma cegueira política que privilegia a burocracia em detrimento da realidade prática. O turismo é uma construção coletiva, e o isolamento institucional apenas pavimenta o caminho para o improviso, condenando o destino ao declínio.</p>
<p>A exclusão de quem carrega o setor nas costas sinaliza um retrocesso disfarçado de planejamento. Sem a inclusão das vozes que operam o serviço, a rota torna-se um trajeto vazio, desprovido de alma e segurança técnica. É urgente que a prefeitura reconheça que o progresso real exige participação popular. Ignorar o povo não é gerir; é sabotar o potencial de Icapuí. Respeitar o trabalhador é o único caminho para um crescimento sustentável, justo e verdadeiramente profissional.</p>
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