Rogério Marinho não está preocupado com o RN e mostrou ontem que é o dono do partido esquecendo que não controla o voto do povo que ainda é soberano na democracia brasileira
Rogério Marinho deu um recado claro — e duro — ao tabuleiro político do Rio Grande do Norte. Ao vetar nomes como Flávio Rocha e barrar o avanço de Ezequiel Ferreira, o senador não apenas interferiu na formação da chapa ao Senado: ele escancarou uma estratégia de poder baseada no controle, ainda que isso custe competitividade eleitoral.
A antecipação do nome de Coronel Hélio, mesmo sem desempenho robusto nas pesquisas, revela que a prioridade não é vencer com o nome mais forte, mas garantir um aliado politicamente alinhado e dependente. Nos bastidores, a leitura é direta: Rogério prefere correr o risco de perder a eleição a dividir protagonismo com figuras que possuem densidade própria, capital político e autonomia.
Flávio Rocha representa exatamente esse perfil — independência econômica, projeção nacional e capacidade de articulação fora das amarras partidárias. Já Ezequiel Ferreira carrega o peso de uma estrutura política consolidada no estado. Ambos, na prática, são nomes que não se submetem facilmente a um comando centralizado. E é justamente isso que parece ter sido neutralizado.
O movimento, porém, expõe fragilidades. Rogério já enfrentou desgaste ao recuar de cenários em que se apresentava como protagonista eleitoral sem conseguir sustentar crescimento nas pesquisas. Enquanto isso, o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, avança como força emergente, reorganizando o jogo estadual e abrindo caminho para uma composição que pode fortalecer nomes como Zenaide Maia.
Ao sinalizar que sua prioridade é manter o controle do PL, Rogério assume um risco político evidente: subestimar o eleitor. Partido estrutura, mas não decide eleição sozinho. O voto é soberano — e o eleitor potiguar tem demonstrado, cada vez mais, capacidade de perceber quando o jogo deixa de ser sobre projeto de estado e passa a ser sobre disputa de poder.

