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Congresso alinhado com o Planalto

por Wilton Medeiros

Nos bastidores de Brasília, o movimento do presidente da Câmara, Hugo Motta, começa a ganhar contornos cada vez mais claros — e politicamente calculados. Sob o discurso público de equilíbrio institucional, a prática indica outra direção: evitar qualquer embate real com o governo Lula e abrir caminho para pautas de interesse do Planalto, especialmente aquelas de forte apelo social e eleitoral.

A estratégia, segundo interlocutores do Congresso, não é movida por afinidade ideológica, mas por sobrevivência política. Em ano de rearranjos eleitorais, Motta parece mais interessado em garantir espaço, cargos, influência e abrigo para aliados do que em liderar um Parlamento independente. O cálculo é pragmático: manter boa relação com o Executivo significa ampliar poder, proteger bases e pavimentar a própria reeleição.

Nesse jogo, direita e esquerda observam em silêncio desconfortável. Parlamentares que se apresentam como oposição ao governo assistem à condução de uma pauta que tende a favorecer o Planalto, enquanto temas potencialmente explosivos — CPIs sensíveis, enfrentamentos institucionais ou agendas que possam constranger o Executivo — permanecem fora do radar. O Centrão, historicamente guiado pelo pragmatismo, reafirma sua natureza: não é trincheira ideológica, é espaço de negociação.

O resultado prático é previsível. Ampliação de programas, fortalecimento do assistencialismo e, possivelmente, novas pressões fiscais para sustentar essa engrenagem política. No fim da equação, a conta tende a recair sobre o contribuinte, como já ocorreu tantas vezes na história recente.

Trocam-se personagens, reorganizam-se alianças, ajustam-se discursos — mas o roteiro permanece familiar. O Congresso mantém o controle do tabuleiro, o governo avança quando encontra terreno livre, e o eleitor observa um sistema que parece girar sempre em torno dos mesmos interesses.

No teatro político nacional, mudam-se os figurantes. O cenário, porém, continua o mesmo.

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