por Wilton Medeiros

Em Brasília oposição protocolo convocação de ministro do STF

PROTOCOLOS, DISCURSOS E NENHUMA MUDANÇA: O CONGRESSO QUE PERDEU A FORÇA QUE TINHA

A oposição protocolou um pedido para convocar o ministro Góes à Câmara dos Deputados, reacendendo um ritual já conhecido da política brasileira: pressão pública, discursos inflamados e promessa de responsabilização. Na prática, porém, o país assiste mais uma vez ao funcionamento de um poder que ainda possui estrutura formal, mas já não demonstra a mesma autoridade política de outros tempos. Convocar ministros é prerrogativa legítima do Parlamento e integra o sistema de fiscalização entre os poderes. O problema é que, no Brasil, esse instrumento passou a representar muito mais um gesto político do que um mecanismo real de transformação institucional. O Congresso ainda fala alto, mas decide pouco. Reage muito, mas lidera cada vez menos. O Legislativo vive hoje uma espécie de sobrevivência funcional: existe, opera, se movimenta — mas perdeu protagonismo, perdeu credibilidade e, sobretudo, perdeu capacidade de impor direção política ao país. A moral institucional se desgastou ao longo dos anos, e recuperar esse poder exige mais do que convocações e requerimentos. A mudança real só virá das urnas. Mas mesmo a renovação eleitoral não garante transformação se os novos parlamentares aprenderem rapidamente os mesmos métodos das velhas lideranças. Se o padrão se repete, o resultado também se repete. E quem sustenta esse ciclo é sempre o mesmo personagem silencioso: o cidadão comum, que paga a conta enquanto o sistema político encena controle sem produzir mudança concreta. Sem renovação verdadeira de postura, prática e compromisso público, o espetáculo continua — e o poder permanece apenas simbólico.

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