por Wilton Medeiros

Ferve o caldeirão político em Brasília depois do Carnaval

LULA VAI TER QUE DIVIDIR A FATIA DO BOLO

O poder em Brasília não se mantém apenas com votos — se mantém com acordos. E o que se comenta, cada vez mais, nos bastidores da capital é que o presidente pode ser levado a dividir — e engolir — decisões que talvez não fossem sua primeira escolha.

Circulam rumores políticos de que rearranjos de alto nível estariam sendo discutidos. Entre eles, a possibilidade de Arthur Lira migrar para o Tribunal de Contas da União, evitando uma disputa direta ao Senado, enquanto Rodrigo Pacheco surgiria como nome forte para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Nada oficial. Nenhuma indicação formal. Apenas o barulho típico dos corredores onde o poder é negociado antes de ser anunciado.

Essas conversas, dizem interlocutores políticos, passariam inevitavelmente por lideranças do Congresso, especialmente por quem controla a pauta e o ritmo das votações. A lógica é clara: estabilidade institucional em troca de acomodação política.

Agora, se o Congresso estivesse realmente comprometido com o interesse do povo — e não com a distribuição de cargos — talvez estivesse discutindo temas mais duros, inclusive processos de responsabilização política. Mas não é isso que se vê.

Porque no Brasil, CPI virou mais espetáculo do que solução. Uma a mais, outra a menos, pouco muda na vida real da população. Comissão investiga, televisão transmite, discursos inflamam — e o cidadão segue apenas assistindo.

Não adianta brigar entre direita e esquerda quando o centrão opera pela matemática do poder. Cargo, influência, sobrevivência política. Essa é a moeda real de Brasília.

A política nacional continua sendo um jogo sofisticado de bastidores. E quem acredita que ela funciona apenas pelo voto ainda não entendeu: o verdadeiro acordo sempre acontece antes da votação.

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