O BRASIL À DERIVA: ENTRE O ESCÁRNIO E A FALÊNCIA INSTITUCIONAL
Há momentos em que um país revela sua crise não por grandes rupturas, mas por sinais simbólicos que expõem mudanças profundas. Transformar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em enredo carnavalesco com recursos públicos, em período pré-eleitoral, não é apenas expressão cultural. Para muitos, representa a diluição das fronteiras entre Estado, poder e autopromoção. O que deveria ser institucional se converte em espetáculo.
O problema se agrava quando parcelas inteiras da sociedade passam a ser tratadas com desprezo. A comparação de evangélicos a “latas de conserva” ultrapassa o campo da retórica infeliz. Para milhões, soa como a normalização do desrespeito. Quando a fé de um povo vira motivo de escárnio, rompe-se algo essencial: o reconhecimento mútuo que sustenta a convivência democrática.
Essa atmosfera repercute no meio jurídico e acadêmico. Estudantes de Direito, que ingressam movidos pela ideia de justiça, observam o funcionamento das instituições com inquietação crescente. A sensação de que a aplicação da lei pode se curvar a interesses políticos gera desconfiança e desânimo. Quando a previsibilidade do Direito vacila, vacila também a confiança no futuro.
Democracias não caem de repente. Elas se desgastam quando o respeito perde valor, quando símbolos substituem responsabilidades e quando a confiança coletiva começa, silenciosamente, a desaparecer.

