por Wilton Medeiros

Mais uma pizza em Brasília no Congresso

IMPEACHMENT COMO ENCENAÇÃO: EMENDAS RECORDE E BLINDAGEM POLÍTICA ESVAZIAM CRISE EM BRASÍLIA

Brasília vive mais um capítulo de tensão institucional embalado pelo escândalo do Banco Master e pelas citações ao ministro Dias Toffoli. O senador Flávio Bolsonaro e outros parlamentares da oposição assinaram pedido de impeachment, gesto que repercute nas redes e mobiliza a militância. Mas, longe dos holofotes, o clima é outro. Lideranças do Centrão e a cúpula do Congresso atuam para conter o avanço da proposta, e o presidente do Senado já sinalizou que não há disposição política para pautar o tema neste momento.

O pano de fundo é claro: 2026 é ano eleitoral. De 1º de janeiro até a primeira quinzena de fevereiro, o governo Lula liberou mais de R$ 2 bilhões em emendas parlamentares, valor recorde para o período e muito superior ao mesmo intervalo do ano anterior. A matemática é simples: com recursos irrigando bases eleitorais, o Congresso reduz o apetite por confronto direto com o Planalto ou com o Supremo.

Há pedidos de CPI sobre o caso Master, mas a instalação depende da vontade dos presidentes das Casas. Sem prazo regimental, a gaveta vira instrumento político. Nos bastidores, muitos admitem que qualquer chance real de impeachment dependeria de uma nova composição do Senado, possivelmente só após 2028. Até lá, o discurso inflama, os gestos são feitos para a plateia e o país assiste a mais um embate que, por ora, parece mais retórico do que efetivo.

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