Não subestime Lula: com dinheiro na mão, até o Centrão se curva
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2026 acelerando a engrenagem política com um movimento que fala mais alto que qualquer discurso: dinheiro liberado. Em pouco mais de 40 dias, entre 1º de janeiro e 12 de fevereiro, o Planalto pagou cerca de R$ 2,31 bilhões em emendas parlamentares, o maior valor já registrado para o início de um ano. 
O salto é expressivo: o montante representa aumento de 212% em relação ao mesmo período de 2025, já corrigido pela inflação. 
Na prática, é uma demonstração clara de força política e de estratégia: quando o governo libera recursos, a base se fortalece — e até adversários reduzem o tom.
Embora o dinheiro seja de despesas autorizadas em anos anteriores, os chamados restos a pagar, o impacto político é imediato. 
Deputados e senadores passam a ter recursos para obras, investimentos regionais e, principalmente, visibilidade eleitoral em seus redutos. Em ano pré-eleitoral, isso significa combustível direto para campanhas.
Em Brasília, a regra é simples: quem controla o fluxo do orçamento controla o ritmo do Congresso. A liberação bilionária reforça a aproximação do Executivo com parlamentares e amplia a margem de negociação política. 
Não é apenas gestão fiscal — é engenharia de poder.
Com emendas robustas, parlamentares ganham vitrine para mostrar resultados aos eleitores. Com apoio parlamentar, o governo ganha estabilidade, governabilidade e blindagem institucional. É uma troca silenciosa, mas histórica no sistema político brasileiro.
O recado está dado: em política, influência não se mede apenas em votos — mede-se em orçamento. E quando o dinheiro circula, alianças se reorganizam, resistências diminuem e o centro do poder se reposiciona.
Subestimar Lula, neste cenário, não é apenas erro de análise.
É ignorar que, em Brasília, quem libera recursos raramente governa sozinho — governa com o Congresso ao lado.

