O Congresso Nacional volta a demonstrar sua habilidade histórica de transformar escândalos em paralisia institucional e, depois, em esquecimento. A possível CPI do caso Banco Master surge cercada por um discurso já conhecido: é preciso “ouvir os líderes”, “avaliar o ambiente político” e “respeitar a fila de CPIs”. Na prática, trata-se de um roteiro recorrente para adiar decisões e evitar investigações incômodas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirma que irá consultar o Centrão antes de decidir sobre a abertura da comissão. A justificativa soa institucional, mas revela dependência política. Desde quando a apuração de fatos graves passou a depender do aval de blocos partidários interessados em preservar emendas, alianças e capital eleitoral? CPIs não são concessões políticas, são instrumentos constitucionais de fiscalização.
A alegação de que existem outras CPIs aguardando tramitação completa o repertório. Sempre surge uma “fila” quando o alvo da investigação é sensível. A urgência, no Congresso, costuma ser seletiva. O problema não é excesso de pedidos, mas a lógica da autoproteção parlamentar, ainda mais evidente em ano eleitoral, quando ninguém quer desgaste público nem exposição negativa.
O resultado é um Legislativo imobilizado pelo cálculo político, mais empenhado em administrar riscos do que em cumprir sua função fiscalizadora. A sociedade cobra respostas, enquanto o Parlamento se fecha em torno de si mesmo. Como já dizia um filósofo, o choro é livre, mas a conta é coletiva.
Cada CPI que não avança aprofunda o descrédito. Quando o Congresso escolhe adiar, escolhe também assumir o peso da omissão e reforça a percepção de que, no Brasil, investigar ainda é exceção — nunca regra.

