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Depois de dividir o segmento evangélico Bolsonaro agora afunda a direita

por Wilton Medeiros

📰 O BRASIL DIVIDIDO

Desde 2018, quando se apresentou como “mito”, Jair Bolsonaro fraturou o segmento evangélico e transformou a fé em palanque. Agora, tenta dividir a própria direita ao empurrar de goela abaixo o filho, Flávio Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência em 2026. O gesto, mais dinástico que estratégico, acende o alerta entre aliados e abre uma guerra de vaidades no campo conservador. Ao insistir no controle do tabuleiro, o ex-presidente parece ignorar a máxima da política: rei morto é rei imposto.

Enquanto isso, o presidente Lula dá o tom e observa o cenário com vantagem. Com a direita rachada, a tendência é a proliferação de três ou quatro pré-candidaturas que se anulam mutuamente. E, com o Congresso de joelhos e o Centrão pedindo clemência, o Planalto amplia sua margem de manobra. Nesse arranjo, Lula caminha para o quarto mandato, exigindo menos esforço de campanha e mais gestão de bastidores. O mapa mostra governadores, prefeitos e partidos médios aguardando a foto oficial com quem detém a caneta — e o orçamento.

Tarcísio de Freitas era o único nome capaz de unificar a direita, dialogar com o centro e levar a disputa ao segundo turno. A escolha de Bolsonaro por um projeto familiar, porém, mina essa possibilidade e empurra a oposição para o improviso. Sem unidade, a direita faz escada para o adversário.

Nota do Blog: ao transformar a eleição numa queda de braço pessoal, Bolsonaro abre precedente para um passeio do governo. Se persistirem o culto ao mito e a submissão do Congresso, Lula não precisará de comício: vencerá por inércia — e a direita, mais uma vez, assistirá da arquibancada.

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