Quanto custará aos cofres públicos a indicação de Messias para o STF? A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de escolher Jorge Messias sem comunicar previamente o presidente do Senado expõe um gesto calculado: Lula confia no poder que exerce sobre o Congresso e na capacidade de obter os votos necessários quando deseja. A sinalização é clara de que o governo acredita ter margem política para avançar sem diálogo formal, contando com a submissão de um Senado que, há tempos, perdeu protagonismo institucional.
Nos bastidores, a movimentação é tratada como operação de força. A percepção geral é de que, apesar dos discursos de independência, a base governista tende a garantir os 41 votos necessários para aprovar o indicado. Enquanto isso, relatos apontam que, desde ontem, a ministra Gleisi e o próprio Messias tentam contato com o presidente do Senado, sem retorno. Resta a dúvida: trata-se de charme político, encenação para o público ou tentativa de demonstrar autonomia que, na prática, não se sustenta?
O ponto central permanece: qual será o custo dessa aprovação? A engrenagem política de Brasília não gira sem contrapartidas. Emendas, cargos, articulações e concessões costumam fazer parte do pacote quando o governo quer maioria assegurada. Assim, a indicação de Messias ultrapassa o aspecto jurídico e se transforma em uma operação de impacto fiscal e político cujo preço será percebido no orçamento.
Agora, cabe ao Senado definir se se curvará novamente ao Executivo, entregando os 41 votos que o Planalto deseja, ou se ensaiará algum grau de resistência. No jogo do poder em Brasília, pode acontecer tudo — inclusive nada — e é justamente essa inércia institucional que permite ao presidente agir sem consultar, sem negociar e sem temer objeções.

