por Wilton Medeiros

Se tem uma coisa que o PP sabe fazer é jogar para a plateia.

PP joga para a plateia: no discurso, é “anti-lulismo”; nos bastidores, apoia quem está no poder

Em mais um capítulo da política de conveniência, o Partido Progressista (PP) decidiu afastar o ministro André Fufuca de suas funções partidárias, mas evitou expulsá-lo da sigla, mesmo após o maranhense optar por continuar no governo Lula. A medida, anunciada com pompa, soa mais como uma encenação pública do que como uma atitude coerente com o discurso oposicionista que o PP tenta sustentar.

Na prática, o partido de Ciro Nogueira fez um gesto calculado: finge romper para agradar sua base conservadora, mas mantém a porta aberta para os benefícios de estar próximo ao poder. É a velha tática de jogar para a plateia — condena em público, negocia no privado. Enquanto diz não fazer parte do governo, o PP segue com um de seus quadros ocupando o Ministério do Esporte e com diretórios estaduais alinhados a interesses federais.

A decisão de não expulsar Fufuca evidencia o duplo jogo: o partido preserva influência no Palácio do Planalto e evita desgastes com o governo, mantendo-se como um aliado informal, pronto a apoiar quando lhe convém. O afastamento, portanto, é simbólico, mais próximo de uma manobra de marketing político do que de uma punição efetiva.

Nos bastidores, lideranças do próprio PP reconhecem que a expulsão poderia criar fissuras internas e abrir espaço para perda de cargos e verbas regionais. Em outras palavras: a coerência ideológica cede lugar à matemática eleitoral.

Assim, o PP segue seu roteiro conhecido — o de quem critica com um microfone e negocia com o mesmo fôlego nos corredores do poder. O episódio revela que, no Brasil, muitos partidos preferem a sombra confortável das conveniências à luz dura da coerência.

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