O ELEITOR NÃO ESQUECE: O JOGO DE MÁSCARA DE STYVENSON EM BRASÍLIA E NO RN
Já reparou que o senador Styvenson Valentim — nas suas idas e vindas de Brasília — fala como defensor de Lula, mas no Rio Grande do Norte age como crítico implacável da governadora Fátima Bezerra? Essa duplicidade esconde uma estratégia calculada: enquanto na capital federal ele tenta angariar simpatias junto ao Planalto, aqui no estado ele lança críticas vorazes, alimentando expectativas de candidatura ao governo local.
Styvenson parece repetir a velha arte do político que “fala uma coisa pra Brasília e outra pra terra natal”. Ele tem criticado sem piedade a governadora Fátima em suas redes sociais e discursos — acusa de gastos excessivos com pessoal, “cabides de emprego” e ineficiência administrativa — mas evita tocar no presidente Lula nos mesmos vídeos e discursos agressivos.
O pior é que as críticas que faz à governadora não são invenções. São mais do que verdade. O próprio eleitor reconhece a pertinência das denúncias que Styvenson verbaliza. Mas há um abismo entre apontar os erros de Fátima e assumir de fato uma posição política clara. Ele precisa ter preço e lado. Não dá para viver de ambiguidades, surfando ao mesmo tempo na onda lulista em Brasília e na maré oposicionista no RN.
Nas redes, ele já sinalizou que pode concorrer ao governo do Estado em 2026, o que reforça essa estratégia de “iludir” o eleitorado potiguar com promessas que, na prática, são alimentadas por costuras políticas externas. Ele próprio admitiu recentemente que ainda não decidiu se vai concorrer ao Senado ou ao governo do RN.
Algumas peças desse tabuleiro político merecem atenção:
• Em 2020, Styvenson desistiu de disputar o governo estadual e acabou se envolvendo em episódios curiosos — como “passear com sua cachorra na Paraíba” — que reforçaram a impressão de que não havia real intenção de governar, mas de manter visibilidade política.
• Agora, orientado pelas instâncias do Planalto, ele tenta reaparecer como candidato ao governo, apostando na memória curta do eleitor.
E é aqui que surge a pergunta que ecoa nos bastidores: vai abandonar de vez a direita, vai dividir para depois tentar somar e multiplicar lá na frente? O eleitor potiguar não pode ser tratado como massa de manobra de uma matemática eleitoral oportunista.
O eleitor não esquece. E quando a cortina cair, vai querer saber quem de fato governou — e com que máscara.

