O PALANQUE SE INSTALA EM MOSSORÓ
A governadora Fátima Bezerra desembarca em Mossoró com uma agenda que, embora apresentada como administrativa, revela-se muito mais política do que institucional. Entre inaugurações de adutoras e rodovias, visitas a hospitais e escolas e solenidades culturais, o roteiro reforça a prática antiga de usar a máquina pública como vitrine às vésperas de um ano eleitoral. Se fosse o prefeito Allyson quem conduzisse um calendário semelhante, a acusação de propaganda antecipada já estaria em discursos inflamados e manchetes de jornais. Mas, sendo a governadora a protagonista, a leitura é outra e o silêncio passa a ser conveniente.
No centro da programação aparecem atos que poderiam ser conduzidos de maneira rotineira, sem grandes palanques, mas que se transformam em eventos públicos com forte apelo midiático. A chamada “instalação do governo” em Mossoró assume contornos de espetáculo e serve, na prática, para projetar a imagem da governadora em uma cidade estratégica para o futuro político do Estado.
Paralelamente, cresce a tensão dentro do próprio PT. Jean Paul Prates, que não servia para ser a segunda opção na disputa ao Senado, agora é colocado como possível candidato a deputado federal. A lógica é clara: Jean não prestava para o Senado, mas serviria de “bucha” para puxar votos e garantir a sobrevivência de companheiros da legenda. Diante dessa realidade, ele acordou, percebeu a engrenagem e sinaliza sua saída do partido. O gesto expõe a forma como o PT trata aliados, descartando-os quando não atendem aos interesses imediatos e resgatando-os quando podem ser úteis como peça eleitoral.
Enquanto isso, em Mossoró, o que se vê é um governo que assume ares de palanque. A agenda mistura solenidades oficiais com ensaios de campanha, levantando a reflexão sobre até que ponto o interesse coletivo não está sendo atropelado pela disputa eleitoral que já se anuncia.

