UNIÃO PROGRESSISTA: DUPLA FACE ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA
A União Progressista, federação recém-formada entre União Brasil e PP, anunciou em alto e bom som que está deixando a base do governo Lula. O discurso foi embalado por palavras duras: todos os filiados que ocupam cargos na administração federal devem entregar suas funções, inclusive os ministros Celso Sabino (Turismo), André Fufuca (Esportes), Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). A promessa soa como um rompimento categórico, mas será mesmo?
A realidade é mais complexa. A União Progressista fala em ruptura, mas continua se equilibrando na corda bamba da conveniência política. Afinal, não é de hoje que o centrão aprendeu a operar com um pé dentro e outro fora do governo, criticando publicamente enquanto mantém indicações em cargos estratégicos e acordos de bastidor.
O senador Ciro Nogueira já se pronunciou, e a pergunta que fica é direta: os deputados e senadores da federação vão realmente abrir mão dos espaços de poder que conquistaram dentro do governo, ou vão optar por continuar colhendo os frutos de cargos e emendas? O cálculo político é frio. Falta pouco mais de um ano para as eleições, e todas as pesquisas indicam que Lula caminha para a reeleição, rumo ao quarto mandato. Ninguém ignora esse cenário.
Portanto, o gesto da União Progressista parece mais uma manobra de sobrevivência eleitoral do que um ato de convicção. Tentam se desvencilhar de desgastes do governo, mas sem perder o acesso aos benefícios do poder. Virar as costas para a pauta do povo, nesse contexto, soa como oportunismo: um discurso de independência que, na prática, mantém os mesmos laços de sempre.
No fim, a pergunta que ecoa é simples: a União Progressista vai mesmo sair, ou vai apenas posar de oposição enquanto segue de mãos dadas com o governo nos bastidores?

